Paróquia São José faz formação sobre Quaresma e Semana Santa

Aconteceu neste sábado (7) de março, no Salão Paroquial uma formação com o Diácono Luiz Henrique da Silva, sobre a Quaresma e Semana Santa, com coordenadores e membros de pastorais e movimentos. Dentro do tema proposto foi apresentado aos presentes que possui uma liturgia rica e cheia de símbolos que converge para a Páscoa do Senhor.

A partir do Plano Diocesano e CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) que percebendo realidades que precisam ser trabalhadas, vem fazer parte a 1ª Formação Permanente e Vida de Comunidade. A justificativa para a formação permanente é o compromisso e paixão da comunidade em estar capacitada e formada para as realidades urgentes do mundo de hoje. Ter a consciência crítica e razões para fé. A partir dessa justificativa a Paróquia São José irá realizar formações específicas para a comunidade paroquial.

“Iniciamos a quaresma, tempo que confronta a levar o cristão a aprofundar sua compreensão da palavra de Deus e a intensificar a prática dos princípios essenciais a ter uma vivência de oração, jejum e caridade. Na celebração da 4ª Feira de Cinzas, onde através do sacramental das cinzas nos é apresentado que essa vida não é para nos apegarmos, mas sim que a morada definitiva é o céu”. A quaresma do início a um período onde a Igreja tem um dos maiores tesouros do Ano Litúrgico, a realização dos maiores acontecimentos da História da Salvação”, enfatiza o Diácono.

Ele comentou ainda que seria lamentável reduzir a Semana Santa a um mero feriado, com praia, sol e jogos, quando deveriam ser aproveitados para participarmos nas celebrações litúrgicas na Igreja e, refletir os passos mais decisivos da jornada terrestre de Nosso Senhor Jesus Cristo.

A Semana Santa tem início com o Domingo de Ramos com a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, após, a Igreja Católica uma semana intensa de celebrações, procissões, confissões e início do Tríduo Pascal, tempo rico e cheio de significados.

“O Tríduo Pascal tem início na tarde de 5ª feira à tarde, com a Instituição da Eucaristia e Lava-pés, quando o Sacerdote lava os pés dos fiéis com o sacramento do serviço e assim nós, devemos nos dobrar também, para cuidar, zelar e amparar os irmãos. Na Sexta-feira à tarde, temos a Celebração com Adoração da Santa Cruz, na qual a adoração tem o sentido de beijar, é dia de penitência e jejum. À noite acontece a Celebração da Paixão e Morte de Cristo tendo como centro a Cruz da qual pendeu a salvação do mundo. No Sábado, vivenciamos a Vigília Pascal, a mãe de todas as Vigílias, nela o padre vai dar a benção do Fogo Novo e Renovar as Promessas Batismais. E, finalmente chegamos ao Domingo de Páscoa – Passagem da morte para a vida, o verdadeiro sentido do amor gratuito- fraterno. A mística da Cruz de Cristo confronta todo esse mistério com a nossa vida”, explica o Diácono.

Finalizando, o diácono Luiz Henrique fala que Cristo é o amor verdadeiro e fraterno, só Ele pode nos preencher e realizar. Devemos rezar nossa vida a partir da espiritualidade de Deus, que, para viver a alegria sentiu dor, solidão e teve renúncias. Assim também nós precisamos renunciar, desde as pequenas coisas do dia a dia e, entender que a Sabedoria de Deus é superior à sabedoria dos homens e que o conteúdo da nossa oração é a própria vida, que seja alegre ou chorando, temos que confrontar a Cruz de Cristo com nossas Cruzes.

Por Vânia Abdala

Confira a formação apresentada:

Qual é a origem e o sentido da Quaresma?Quaresma é a palavra utilizada para designar o período de 40 dias, no qual os católicos realizam a preparação para a Páscoa, a mais importante festa do calendário litúrgico cristão, pois celebra a Ressurreição de Jesus, a base principal da fé cristã. Nesse período, que começa na Quarta-feira de Cinzas e termina na Quarta-feira da Semana Santa, os fiéis são convidados a fazerem um confronto especial entre suas vidas e a mensagem cristã expressa nos Evangelhos. Esse confronto deve levar o cristão a aprofundar sua compreensão da Palavra de Deus e a intensificar a prática dos princípios essenciais de sua fé.

Quando surgiu a Quaresma?
Por volta do ano 350 d.C., a Igreja decidiu aumentar o tempo de preparação para a Páscoa, que era de três dias, que permaneceram como o Tríduo Sagrado da Semana Santa: Quinta feira Santa, Sexta-feira Santa (Paixão) e Sábado Santo. A preparação para a Páscoa passou, então, a ter 40 dias. Isso aconteceu porque os cristãos perceberam que três dias eram insuficientes para que se pudesse preparar adequadamente tão importante e central evento. Surgia, assim, a Quaresma.

O número 40
O número 40 é bastante significativo dentro das Sagradas Escrituras. O dilúvio teve a duração de 40 dias e 40 noites, além disso, foi a preparação para uma nova humanidade purificada pelas águas. Durante 40 anos, o povo hebreu caminhou pelo deserto rumo à terra prometida, tendo atravessado o mar vermelho. Antes de receber o perdão de Deus, os habitantes da cidade de Nínive fizeram penitência por 40 dias. O profeta Elias caminhou 40 dias e 40 noites para chegar à montanha de Deus. Preparando-se para cumprir sua missão entre os homens, Jesus jejuou durante 40 dias e 40 noites. Moisés havia feito o mesmo. Os povos antigos atribuíam ao número 40 diversos significados. Um deles tem importância especial para os cristãos: um tempo de intensa preparação a acontecimentos marcantes na História da Salvação.

Quaresma no Brasil
A partir da década de 70, a Igreja no Brasil colocou na devoção dos fiéis que tradicionalmente acompanham, com muita piedade, a caminhada de Jesus para a Páscoa, um reforço à vivência do amor, da caridade que liberta, visto que Jesus deu Sua vida para nos salvar. Ao colocar a Campanha da Fraternidade no período da Quaresma, ela quer que sua organização e realização sejam uma mediação muito prática para a vivência da caridade, desenvolver e aprofundar a fraternidade, segundo o mandamento do amor: amar o próximo como Jesus nos amou.
A cada ano, um tema é tratado no espírito quaresmal de conversão, por meio da meditação, da oração, do jejum, da esmola, no sentido de caridade que liberta. Para facilitar, a Igreja oferece um texto base no esquema “Ver, Julgar, Agir” e diversos subsídios de apoio, motivando e estimulando os fiéis a levarem a meditação sobre Jesus perseguido e sofredor, e as demais práticas da Quaresma para atitudes concretas em favor do outro, privilegiadamente os sofredores.
O foco da Quaresma sempre foi e continuará sendo a nossa conversão ao Senhor e ao que Ele quer de nossa vida e do mundo. Nossa conversão pessoal e institucional, porém, deve sempre se concretizar, ser visível.

Fonte: CNBB

Qual o sentido da Quarta-feira de Cinzas?
A Quarta-feira de Cinzas foi instituída há muito tempo na Igreja; dia que marca o início da Quaresma, tempo de penitência e oração mais intensa. Para os antigos judeus, sentar-se sobre as cinzas já significava arrependimento dos pecados e volta para Deus. As cinzas bentas e colocadas sobre as nossas cabeças nos fazem lembrar que vamos morrer, que somos pó e ao pó da terra voltaremos (cf. Gn 3, 19), para que nosso corpo seja refeito por Deus de maneira gloriosa, para não mais perecer. A intenção desse sacramental é nos levar ao arrependimento dos pecados, é fazer-nos lembrar que não podemos nos apegar a esta vida, achando que a felicidade plena possa ser construída aqui. É uma ilusão perigosa. A morada definitiva é o céu.

O sentido da Semana Santa
Na vastidão deste imenso Brasil haverá, nos próximos dias, um sentimento que irmana a maioria dos brasileiros. A Semana Santa, com suas cerimônias litúrgicas, faz brotar em toda parte um clima diverso do que habitualmente vivemos. A presença mais viva da Paixão de Cristo e o seu significado redentor provocam em milhões de brasileiros uma notável mudança de atitude neste período santo. Mais uma vez celebramos com reverência, respeito e amor a Semana Santa, a semana maior do calendário cristão. Esta semana vai desde o Domingo de Ramos até o Domingo da Páscoa e, sem dúvida, é um dos maiores tesouros do ano litúrgico, pois nela se realizaram e agora se repetem os maiores acontecimentos da História da Salvação. Seria lamentável, pois, reduzir a Semana Santa a um mero feriadão, com muitos jogos, muita praia e sol, quando estes dias deveriam ser aproveitados para uma participação maior nas celebrações litúrgicas nas igrejas e para refletir sobre os passos mais decisivos da jornada terrestre de Nosso Senhor Jesus Cristo. No Domingo de Ramos, com a entrada triunfal de Jesus Cristo em Jerusalém, nós fomos convidados para ver se realmente em nossas vidas estamos aclamando Cristo ou condenando-o. A Quinta-Feira Santa nos traz o impacto de um amor sem precedentes, externado na instituição da Eucaristia e no Lava-pés. A Sexta-Feira Santa recorda para os cristãos a paixão e morte brutal de Cristo.

As forças do mal mataram um homem que só fez o bem, algo que continua a acontecer hoje. O Plano de Salvação de Deus foi concretizado na morte de Jesus; por isso, nossa tristeza e desânimo durante o Sábado Santo, que é um dia de luto e de reflexão sobre o Cristo sepultado, cedem lugar aos cantos de alegria e de Aleluia na Vigília Pascal.
Cristo nos salva e nos liberta. Ele exige de nós coragem para testemunhá-lo sem covardia e sem desânimo.

Basicamente podemos afirmar que a Páscoa é a passagem de Cristo por cada um de nós, por cada família, por nossa sociedade, para nos libertar do egoísmo, da falta de amor e das injustiças. Ressuscitado, Ele ganhou o título de Libertador porque teve a coragem de sofrer e de humilhar-se por nós. Enquanto nós não formos capazes de viver num espírito de genuína concórdia e fraternidade, enquanto não conseguirmos eliminar, ou pelo menos diminuir o egoísmo, o hedonismo, o espírito de competição desigual, o materialismo desenfreado e as injustiças, não haverá a paz, a alegria e a felicidade que todos nós almejamos.

Agora é Domingo de Páscoa e estamos diante do milagre da gloriosa Ressurreição de Cristo. Sua morte e ressurreição trazem consigo a ideia de passagem e libertação. A passagem do amor sem limites que vence o poder do pecado e da morte; assim perdoa e liberta a consciência de suas falhas. A Páscoa do Senhor, como podemos ver no Antigo e Novo Testamento, embora incluindo uma libertação dos males físicos e mentais, não se limita a isso.
A Páscoa do Senhor realmente entra no santuário da consciência e exige de nós compromissos de vários tipos. Compromissos pessoais com Deus, refletidos em nossas vidas de cristãos. Compromissos de fé e de moral com a Lei de Deus, compromissos com a Igreja, compromissos com os irmãos mais pobres e marginalizados, compromissos com a caridade e a Lei do Amor Recíproco.

A Páscoa é, realmente, a consciência de que Jesus Cristo está em nós e nós estamos Nele, e assim caminhamos, no desejo de construir um mundo melhor marchando para a Casa do Pai. Pelos desígnios misericordiosos deste mesmo Pai, Cristo nos salva e nos liberta. Ele exige de nós coragem para testemunhá-lo sem covardia e sem desânimo. Ele nos pede também solidariedade para compreendermos o sentido abrangente do amor fraterno e a dimensão social da consciência cristã. Morto numa cruz e sepultado, ressuscitou dos mortos.

Sua ressurreição, até hoje e para sempre, alimenta as esperanças de um mundo melhor e mais humano.