Mês Vocacional: celebra e homenageia todas as vocações no mês agosto

O Mês Vocacional, instituído no Brasil há quase 40 anos, vem celebrando e homenageando todas as vocações no decorrer das semanas de agosto. Em cada uma delas, de domingo a sábado, todos são convidados a voltar as atenções para um grupo específico de vocações. Abaixo segue texto de Rosemary Cristina sobre a vocação:

Vocação é um termo derivado do verbo em latim “vocare” que significa “chamar”. Alguém chama e é chamado, e, por lógica, é necessária uma resposta; por sua vez, nesta interação dialógica, intuitivamente desenvolve-se neste processo interativo a construção de uma ligação intima entre o emissor e receptor à citada expressão latina.

Em um sentido mais amplo, diríamos que a primeira vocação recebida é o dom da vida, tal como dito por São Paulo VI que “toda a vida é uma vocação” (Populorum progressio, 15) e testemunhado pelo Papa emérito Bento XVI que “a própria vida é vocação em relação a Deus” (Verbum Domini, n.77).

Já a segunda forma designada ao termo é o da santidade.

Segundo a Exortação Apostólica do Papa Francisco Gaudete et Exsultate sobre o chamado à santidade no mundo atual, 2018, vem nos ensinar que “todos os Cristãos, de qualquer condição ou estado, são chamados pelo Senhor, cada um por seu caminho, para a perfeição da santidade pela qual o próprio Deus é perfeito”.

Há também as vocações específicas dentro de um campo profissional ou as vocações Cristãs, como é o caso à vida religiosa, ao sacerdócio, ao celibatário, ao Matrimônio... entre tantos outros e exemplos. São inúmeros os chamados e Deus é quem nos vocaciona, colocando-nos a iniciativa de escolher, de decidir. Eis então que o desafio é lançado, precisamente o desafio de se lançar, de responder ao chamado e ser fiel a ele.

Trata-se de uma descoberta do próprio ser pessoal, é um estado de vida. Aos poucos, deslumbrando-a, ela vai despertando e se desenvolvendo lentamente e silenciosamente em nosso íntimo. Na entrega diária à vontade de Deus, descobre-se a verdadeira resposta. Na intimidade, Ele a nos revela.

Toda vocação é o resultado comum de duas decisões livres: (1º) de Deus, escolhendo e chamando amorosamente o homem; (2º) do homem, respondendo livremente ao apelo divino. A decisão sempre deve ser pessoal e livre. Ao descobri-la o homem está reconhecendo a si mesmo. Vocação acertada é vida feliz! Só vai compreender a autenticidade vocativa aquele que cultivar no coração um amor incondicional por Deus e pelos outros. Santa Teresinha do Menino Jesus queria ser várias coisas ao mesmo tempo e no final, nos ensinou que ela seria o amor: “A minha vocação é o amor”. Este sentimento é o nosso termômetro vocacional, pois ele não sobrevive à base de teorias. O amor é a ação colocada em prática no contexto da vida.

Portanto, é de extrema relevância reconhecer que na vocação encontra-se o ponto de partida. Descobri-la integralmente é uma das condições para alcançar o ponto de chegada. O importante é partir, e, para todas as perguntas que aparecerem pelo caminho, existem respostas que brotam dentro de cada um. Há uma força em nosso interior que nos leva a prosseguir, só é necessária uma permissão: a de ser..., de ser feliz, de ser só você mesmo, de ser aquilo que nascemos para ser.

Permita-se conhecer, avante, deixa-se ser movido (a) pelo Paráclito.

Toda permissão provoca uma consequência. A escolha é unicamente sua, tenha a coragem de entrar e viver essa viagem, a de ter uma incontestável determinação, com destino à sua vocação.

“- Não vês que somos viajantes? E tu me perguntas:
‘- Que é viajar?’
Eu respondo com uma palavra: é avançar!
Experimentais isto em ti
Que nunca te satisfaças com aquilo que és
Para que sejas um dia aquilo que ainda não és.
Avança sempre! Não fiques parado no caminho”. (Santo Agostinho)

Texto: Rosemary Cristina