Jovem da Paróquia São José participou da Semana Missionária no estado do Pará

Ser missionário...

Ser missionário não é só percorrer grandes distâncias, mas é a difícil viagem de sair de si, e ir ao encontro do outro. É a ousadia e a decisão de morrer para nós mesmos para que Cristo prevaleça.

Na Exortação Apostólica pós-sinodal CHRISTUS VIVIT o Para Francisco dirige-se à nós, jovens, como "Missionários corajosos". Segundo o santo padre: “Apaixonados por Cristo, os jovens são chamados a dar testemunho do Evangelho em todas as partes, com a própria vida”.

Em julho de 2019, tive a oportunidade de viver uma semana missionária em Benfica-PA, com a Comunidade Missionária Providência Santíssima de Mococa-SP. Foi uma experiência única. Tivemos uma semana intensa de atividades, com visitas missionárias de casa em casa, oficinas com os jovens e momentos de espiritualidade com toda a comunidade.
Lá encontramos pobreza e algumas precariedades que eram distantes de mim, do meu dia-a-dia. Em contraponto, encontrei um povo extremamente feliz e não hesitou em me amar.

Deus me amou e me ensinou dia e noite naquele lugar. Sair da minha zona de conforto e comodidade foi um árduo aprendizado e amadurecimento. O Pará foi um divisor de águas em minha vida. Sempre sonhei em ser missionária à serviço dos necessitados. Descrever o que eu vi, vivi e experimentei torna-se quase que impossível, pois todas as palavras do mundo, seriam poucas para descrever.

Lá evangelizamos e com certeza fomos muito evangelizados.

Na missa de envio, um dos vigários de minha cidade, Padre José Ronaldo, insistiu que o ministério de música cantasse a música Alma Missionária, de Ziza Fernandes, e foi lindo, porém, só quando voltei de viagem é que compreendi o sábio pedido do Padre. A música foi uma oração ao meu coração quando o cansaço chegava:
“... e assim, eu partirei cantando por terras anunciando tua beleza, Senhor. Te dou meus passos sem cansaço, tua história em meus lábios e a força na oração...”

Voltar para casa foi difícil, mas o fiz com muitas lágrimas e o coração agradecido por tamanha experiência.
Quando um missionário vai para o campo da missão pela primeira vez e retorna ao seu recanto, algo fica para trás. O sentimento é de uma inquietação sem fim, uma saudade que não se sabe explicar exatamente a dimensão.
A inquietação surge porque a nossa alma experimentou profundos momentos sólidos e agora queremos viver novamente a experiência que foi tão fecunda ao nosso coração.

Quando chegamos de viagem, de uma missão, partilhamos com nossos amigos e familiares as experiências e histórias do lugar que estávamos, deste que se tornou nosso segundo lar e quando terminamos de contar, muitos se emocionam, se comovem, mas simplesmente não conseguem se relacionar com nossas experiências “daquele lugar”.
Tamanha vivência faz com que começamos a sentir falta dos lugares, das pessoas, dos amigos locais e até das comidas. Sentimos falta daquele ministério que fazíamos com toda a alegria apesar das dificuldades.
“Casa” já não é mais “casa” e o lugar do campo missionário nunca será “casa “também.
“Casa” são ambos os lugares e nenhum lugar ao mesmo tempo.

Penso que os missionários são sempre pegos em meio a dois mundos, mas tudo bem, pois estamos no caminho certo. Outros já caminharam pela mesma estrada. Nesta perspectiva, Missionários são aqueles que moram longe de onde cresceram e experimentam esse mesmo sentimento a todo tempo.

Realmente não estamos em “Casa”, um dia todos nós voltaremos para o verdadeiro lugar. Já que "não somos desse mundo" (Jo 15:19) ...

Hoje a inquietação convida-nos a continuar a nossa missão, o nosso "ir ao campo para semear" e a "colheita" deixamos para o bom Deus pois é dele toda obra.

Uma vez ouvi que toda inquietação ou angústia é uma bússola para a vontade de Deus. Que tenhamos a coragem e a ousadia de se permitir e podermos ver os frutos da missão em nós, em nossos corações, que nos foram tirados do comodismo. Não sabemos exatamente o quê, mas Deus o fez.

Fica aqui meu eterno agradecimento à toda CMPS pelo convite; a comunidade e Paróquia de Benfica, à Arquidiocese de Belém e ao Pároco Pe. Edilson Moreira, mps por todo projeto missionário; à toda comunidade Muzambinhense; ao apoio do meu Bispo Dom José Lanza Neto, ao Pároco Pe. Alexandre José Gonçalves, aos Vigários Pe. Leandro José de Melo e Pe. José Ronaldo Neto. À minha família e amigos por todo apoio. A todos vocês o meu muito obrigado, já que de certa forma, vocês viveram essa missão conosco.

Por Rosemary Cristina

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