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A Semana Santa teve início no Domingo de Ramos

DSC 9532A Semana Santa teve início com o Domingo de Ramos, no qual a Igreja faz memória da entrada “triunfal” de Jesus em Jerusalém, montado em um jumentinho (símbolo de humildade), onde foi aclamado pelo povo simples como “o Bendito que que vem em nome do Senhor”. O Povo demonstrou reconhecer em Jesus o Messias anunciado pelos profetas. Porém, a ideia de Messias ainda era na linha de um libertador político-social. Jesus para mostrar que não era esse tipo de Messias entra na cidade, a grande Jerusalém, montado na montaria dos pobres, um jumentinho. Ele não é um Rei deste mundo.

No Domingo de Ramos, misturam-se os gritos de “Hosana” com os gritos de “crucifica-o”. Na missa somos levados a contemplar a Paixão do Senhor. Os ramos significam a vitória: “Hosana ao Filho de Davi: bendito seja o que vem em nome do Senhor, o Rei de Israel; hosana nas alturas”. Porém, a entrada “solene” de Jesus em Jerusalém foi um prelúdio de suas dores e humilhações. Aquela mesma multidão que o homenageava, motivada pelos seus milagres, irá virar as costas a Ele e, pedir a sua morte. Jesus, que conhecia o coração dos homens, não estava iludido.

A missa do Domingo de Ramos nos apresenta através do Evangelho, a Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo. Nos remete a sua angústia no Horto das Oliveiras, o sangue vertido com o suor, o beijo traiçoeiro de Judas, a prisão, os maus tratos causados pelas mãos dos soldados, o julgamento injusto diante de Pilatos e o grito de “crucifica-o, crucifica-o” do povo pedindo sua condenação. A Paixão do Senhor nos leva também a contemplar as bofetadas, as humilhações, o caminho percorrido até o Calvário, a ajuda do Cirineu, o consolo das mulheres, o encontro com sua mãe, o terrível madeiro da cruz às costas, a sua crucificação, o diálogo com o bom ladrão, sua morte e sepultura. Na celebração podemos perceber o quanto é fraca a nossa fé e devemos tirar grandes lições para a nossa vida. A entrega total de vida realizada por Jesus deve verdadeiramente entrar em nossa vida, em nossas casas, em nossos corações, atitudes...

Jesus nos ensina que não é Rei segundo a compreensão do mundo, mas veio para derrubar o pecado. Ele é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Assim, unidos à Cristo, a sua Paixão, Morte e Ressurreição, podemos verdadeiramente transformar as estruturas do mundo, para que reine a justiça, o amor, a paz e a verdadeira concórdia. A Paixão do Senhor não nos tira do mundo, mas nos insere nele com pensamentos, sentimentos, ações e jeitos de ser transformados em Cristo.

Muitos se decepcionaram com Jesus, pois pensaram que Ele fosse tirar Pilatos e o poder do Império Romano e implantar o reinado da dinastia de Davi em Israel. Mas não foi para isso que Ele veio. Certamente muitos, ao verem o Senhor montado num jumentinho se perguntaram: Que Messias é esse? Que libertador é esse? Deve ser, na verdade, um farsante.

O Domingo de Ramos da Paixão do Senhor nos ensina muito. Ensina-nos que a luta de Cristo, da Igreja e a nossa, deve ser contra o pecado que nos coloca contrários aos projetos de vida em abundância de Deus, revelados e defendidos por Jesus até a morte de cruz, até às últimas consequências. Ensina-nos que Jesus nos dá a radicalidade do seguimento do querer de Deus, do Reino da verdade. Também nos ensina que a renúncia de nós mesmos, com Cristo, por Cristo e em Cristo, gera vida e vida em abundância. Jesus é a nossa salvação! Os ramos, que neste ano não carregamos em procissão, mas enfeitaram as nossas casas nos levam a abraçar a graça de sermos batizados, filhos de Deus, membros do Corpo de Cristo – a Igreja, defensores pela vivência concreta da fé. Tudo isso é muito importante, fundamental, nesses tempos difíceis em que estamos. Este ano não tivemos, mais uma vez, a procissão, por meio da qual manifestamos que somos peregrinos neste mundo, rumo à Pátria definitiva, a Vida Eterna. Mas, a caminhada continua e nós a fazemos “fervorosos no espírito, alegres na esperança, perseverantes na tribulação, constantes na oração, solidários...” (Rm, 12, 12-13); e firmes na fé.

Pastoral da Comunicação